Basicamente, são quatro as qualidades que um árbitro quer ver no físico de um atleta que compete em Musculação, tecnicamente chamadas de critérios de julgamento. Três deles são qualificados como critérios objetivos e praticamente são eles que determinam o vencedor e as demais classificações. O quarto critério, de certa forma subjetivo, não é mensurável como os outros três, sendo utilizado para situações de desempate. São eles: CRITÉRIOS OBJETIVOS:
CRITÉRIO SUBJETIVO: VOLUME: Não se pode negar que as drogas anabólicas e outras têm influência no tamanho dos músculos, mas isto gera situações muito mais complicadas do que aparentam, pois envolvem a saúde, a ética e o desejo pessoal. Porém, mesmo utilizando as mais eficientes drogas do mercado atual, não há ganhos significativos na ausência de uma predisposição genética. Se as drogas não existissem, os campeões seriam os mesmos, porém um pouco menores. Isto porque o fator determinante de sua vitória foi seu potencial genético e não as drogas, que no máximo teriam acelerado o processo. Tomemos como exemplo as competições Mundiais, onde todos têm o mesmo acesso aos melhores centros de treinamento, aos melhores suplementos e a todos os demais recursos, mas onde apenas UM é o campeão aquele que tem o melhor potencial genético. Voltando ao volume muscular, atletas com grande estatura (muito altos) e/ou com estrutura óssea também grande, poderão (vejam bem, poderão) apresentar desvantagem em relação a atletas com menor estatura. Isto porque é necessário muito mais músculo para preencher um físico com mais altura e maior arcabouço ósseo, do que para preencher estruturas menores. Isto não significa que sempre um atleta alto estará em desvantagem, pois há atletas altos com grande volume, mas com certeza é necessário muito mais músculo para preencher uma estrutura maior. Por exemplo, para que um atleta de 1,90m de altura apresente o mesmo volume muscular de um Lee Priest, necessariamente deverá ter maiores músculos. Outro exemplo é o atleta brasileiro José Carlos dos Santos, bi-campeão mundial, de estatura baixa e grande volume. Para superá-lo, um atleta com maior estatura precisaria ter músculos mais desenvolvidos, enquanto atletas com menos altura e músculos menores podem aparentar maior volume, com certa vantagem sobre os mais altos. Quando se fala em volume, existe um critério relacionado diretamente a ele: a densidade. Um músculo pode ser grande e denso, ou não. "Volume com densidade" é perceber, ao observar o atleta, que o músculo é sólido e tem profundidade. Um músculo grande e sem densidade é aquele músculo inchado, edemaciado, parecendo reter água. Não tem aquele aspecto musculado, com as fibras evidentes, estando ausente a desejada aparência sólida. Devemos valorizar o volume com densidade. Exemplos de atletas que apresentam ou apresentaram volume com densidade: Dorian Yates, Ronnie Coleman, Rich Gaspari, Nasser El Sonbaty, Flex Wheeler. DEFINIÇÃO: É um fato que muitos atletas utilizam recursos como drogas elevadoras do metabolismo e diuréticos, na fase próxima às competições. A advertência a fazer é que tomem cuidado com a saúde e com os exames anti-doping. Certa vez, durante um dos cursos da FEPAM, ouvi do Dr. Santarém que existe uma "Receita da Morte" que os atletas insistem em usar. Aqui vai ela:
Voltando à definição, deve-se poder observar a separação entre os diversos grupos musculares, onde começa e termina cada músculo, bem como dentro dos músculos, aquele aspecto estriado, possibilitando muitas vezes observar a direção que seguem as fibras. Isto fica evidente no quadríceps, nos glúteos (talvez o músculo mis difícil de ser definido), no grande dorsal com a fáscia tóraco-lombar (que muita gente pensa ser o lombar, mas que é o tendão de fixação do grande dorsal na coluna vetebral, sendo que o quadrado lombar fica por baixo). Devemos poder ver a separação entre o peitoral e o deltóide, entre o deltóide e os músculos do braço, bíceps braquial e tríceps, as diversas cabeças do tríceps, os músculos do antebraço, os diversos ventres (gomos) do abdominal, os músculos oblíquos, o serrátil anterior (grande denteado). Devem ficar evidentes também: a divisão entre os diversos músculos das costas (trapézio, grande dorsal, redondos, deltóide posterior); a separação entre os músculos do quadríceps (vastos e reto femural); a divisão dos posteriores da coxa (semis e bíceps femural); a marcação dos gastrocnêmios com o óleo. Boa vascularização não é critério de julgamento, pois muitas vezes não tem relação com a definição. A vascularização é determinada pela genética, havendo atletas extremamente definidos que não apresentam vascularização. Mas um atleta vascularizado com certeza está definido.........(trecho para clarear o sentido: POIS PARA AQUELES QUE TÊM BOA GENÉTICA PARA DEFINIÇÃO, ESTA SÓ APARECE BEM QUANDO SE ESTÁ DEFINIDO). Exemplos de atletas internacionais com excepcional definição: Flex Wheeler, Ronnie Coleman, Agatoklis Agatokleses, Shawn Ray, Lee Priest. No Brasl: Sérgio Silva Santos, João Bispo, Marcos Lehm, Gerson Guimarães e outros. PROPORÇÃO: Músculos que quebram a proporção, quando pouco desenvolvidos, são: os do pescoço; posteriores de coxa; posteriores do tronco (trapézio, parte baixa das costas, deltóide posterior); do antebraço; gastrocnêmios; porção superior do peitoral; tríceps braquial. Músculos que quebram a proporção quando se apresentam demasiadamente desenvolvidos: peitoral maior; bíceps braquial; quadríceps. Às vezes o atleta pode apresentar desproporção de seguimentos corporais como tronco e braços muito desenvolvidos e coxas pouco trabalhadas ou, ao contrário, coxas muito grandes e tronco e braços com baixo grau de desenvolvimento. Proporção é um critério que depende de treinamento bem feito, de um bom trabalho geral e de genética. Há atletas que são desproporcionais por negligenciarem algumas partes corporais durante o treinamento (eles não gostam de treinar certos grupos musculares) e outros que, apesar de treinarem com afinco e determinação, não conseguem melhorar pelo fato de não terem boa genética para alguns seguimentos musculares. Será que alguém pensa que atletas como Serge Nubret, Tony Person, Robby Robinson não treinavam coxa e gêmeos? Aos árbitros não importa se o atleta treina muito mas não tem genética. No momento de julgar, isto não é relevante para um árbitro. Atletas com excelente proporção: Flex Wheeler, Shawn Ray, Bob Paris, Ronnie Coleman e, entre os brasileiros: Omar Josef, José Carlos dos Santos, Marilândio Ponchet, Paulo Lima, Edson Prado, João Bispo de Andrade etc. HARMONIA: Atualmente existem drogas que são aplicadas em locais específicos, como bíceps braquial, tríceps braquial, vasto lateral, deltóides e gastrocnêmios, comercializados com nomes como Synthol, ADE, Esicleine etc. Elas causam um inchaço local, aumentando o músculo onde são aplicadas. Desconhecem-se seus efeitos a longo prazo, mas há suspeita de poderem vir a gerar uma necrose local. O que sabemos é que existem muitos atletas que estão abusando desta prática pela ganância de vencer. Será que vale a pena correr os riscos? Cada um resolve o que faz com a vida, mas muito cuidado. Na última temporada um atleta competidor do Olympia tentou aplicações no peitoral e acabou introduzindo a substância em uma artéria ou veia. Quase perdeu a vida e não pode competir em 2000, nem se sabe se voltará a ter condições para a carreira. Ouvimos comentários de que usuários já estão recorrendo à cirurgia plástica para retirar essas substâncias. Harmonia é o que os norte americanos chamam de "shape". Outros fatores aos quais se pode recorrer em situação de desempate são: Defeitos de coluna, como escoliose (desvio lateral da coluna); hipercifose (corcunda, acentuação da região torácica); hiperlordose (acentuação da região lombar); problemas posturais de joelho, como geno valgo (joelho em X) e geno varo (joelho em O); manchas, tatuagens (considera a tatuagem como um defeito de pele); cicatrizes, varizes, ginecomastia, tom de pele muito branco. Desconsideram-se em Musculação, critérios de cunho individual como crença religiosa, raça, nacionalidade, opção política, beleza facial. Devemos ter em mente os quatro critérios e julgar os competições pensando neles como um conjunto.
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