MASSA MUSCULAR - 1ª da série de 3 artigos
Muita gente nos consulta sobre o tema Aumento de Volume
Musculare só isto já justificaria a abordagem deste assunto numa série. Mas há
também outra razão muito importante: a grande confusão que se generalizou a respeito,
dando margem a falsas interpretações, conclusões errôneas e muito
besteirol.
Tempos atrás, quando passava um indivíduo cuja musculatura se
sobressaía da média, ouviam-se comentários assim: ...também, fica levantando
pesos... assim, até eu! Hoje, o que se ouve é: ...também, toma
anabolizantes... assim, até eu!.
Embora ambas as colocações tenham um fundo de verdade, estão muito
longe da realidade, como nossos leitores poderão acompanhar nesta e nas duas próximas
edições do Jornal da Musculação & Fitness.
1. Nesta primeira parte, o Dr. Santarém aborda as questões
fisiológicas do Volume Muscular com a competência, clareza e objetividade
que são suas características.
2. Na segunda parte, estaremos reunindo o parecer de vários atletas
e treinadores sobre a temática dos programas de treinamento e os melhores exercícios
para aquisição de massa muscular.
3. Finalmente, na edição 40 (outubro), levaremos aos leitores a
palavra de nutricionistas, atletas e treinadores sobre: alimentação, suplementação e
recursos ergogênicos.
Esperamos estar colaborando para o entendimento de algo muito simples,
que ocorre no organismo das pessoas quando elas se submetem a treinamento físico
específico, aliado a boa genética, nutrição e repouso adequados. Mas, principalmente,
esperamos contribuir para que a nossa juventude não seja enganada, até mesmo pela grande
imprensa, que noticia o assunto com leviandade e acaba levando as pessoas às farmácias e
não às academias. BOA LEITURA!
EUGÊNIO FRANCISCO KOPROWSKI |
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Presidente da Fed.Paulista de Musculação 78/84 - 93/01 |
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Treinador de Atletas desde 1963 |
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Dirigente Esportivo desde 1977 |
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Presidente da Conf.Brasileira 86/91 |
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Membro Titular do Conselho Estadual de Desportos/SP |
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Presidente da Comissão Organizadora do Campeonato Mundial IFBB/89 - SP |
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Campeão Paulista e Rio-S.Paulo de Musculação 1976 |
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Presidente do Conselho Consultivo da UFEESP |
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Prof.dos cursos de musculação aplicada da Fac.Ed.Física da Un.Fed.do
Paraná, 83/94 |
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Fundador da NABBA BRASIL (NABBA INTERNACIONAL - BRASIL) 2001
E-mail: eugenio@nabba.com.br |
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VOLUME MUSCULAR
O tamanho dos músculos esqueléticos acima da média sempre foi a marca
registrada das pessoas treinadas com pesos. O aumento do volume muscular é uma
importante adaptação do organismo aos exercícios resistidos, e atende a muitos
objetivos: melhorar a estética corporal, aprimorar o desempenho esportivo, favorecer o
conforto na vida diária e no trabalho físico, e melhorar a proteção das
articulações.
Embora muitas atividades físicas aumentem a massa muscular, nos
esportes e no trabalho, o treinamento resistido (contra resistência, geralmente oferecida
por pesos) é o estímulo mais eficiente para essa finalidade, justificando que seja
conhecido na área esportiva como musculação. Nas academias, onde as pessoas
costumam ter o objetivo de melhorar a forma do corpo, o aumento da massa muscular é
fundamental. Mesmo as mulheres que não desejam ficar musculosas precisam aumentar o
volume dos músculos para modelar o corpo.
Todas as pessoas conseguem aumentar o
volume muscular com o treinamento resistido, embora alguns tenham mais dificuldades do que
outros. Como acontece com todas as variáveis biológicas, a facilidade para aumento de
massa muscular tem uma distribuição típica na população: poucas pessoas têm muita
facilidade, poucas pessoas têm muita dificuldade, e a maioria se situa em uma faixa
intermediária onde o aumento de volume muscular ocorre, mas sem atingir valores
excepcionais.
Evidentemente que os campeões de musculação são pessoas que reagem
melhor do que a maioria, e os seus altos níveis de massa muscular são inatingíveis para
a maioria das pessoas. O desconhecimento dessa realidade da natureza faz com que muitas
pessoas tenham sonhos impossíveis, principalmente no caso de jovens recém iniciados na
musculação.
MECANISMOS FISIOLÓGICOS
A compreensão dos mecanismos fisiológicos envolvidos no aumento do volume muscular pode
ajudar na adoção de condutas sensatas e evitar as que podem colocar em risco a saúde
das pessoas.
Para que os músculos aumentem de tamanho, o processo mais importante
é a hipertrofia. O treinamento contra resistências produz uma sobrecarga nos músculos
que pode ser chamada de tensional. A tensão ocorre nos músculos que se contraem contra
resistências, e o seu primeiro efeito é alterar a permeabilidade da membrana celular aos
íons cálcio, que assim migram para dentro da fibra muscular.
O aumento da concentração de cálcio ativa proteases miofibrilares,
as enzimas que destroem as miofibrilas. Estas são os filamentos protéicos que compõem a
maior parte da estrutura muscular. Portanto, durante os exercícios ocorre a destruição
de miofibrilas, o que significa a perda de massa muscular.
No descanso que se segue aos
exercícios as miofibrilas são refeitas por síntese protéica, e esse processo tende a
ser de maior magnitude do que a destruição durante o treino. Assim sendo, após o
período de recuperação, tende a ocorrer um aumento de massa muscular.
Todavia, se a destruição de miofibrilas durante os exercícios for
muito acentuada, a recuperação poderá ser suficiente apenas para a reposição da massa
perdida, sem que possa ocorrer aumento do volume muscular.
A síntese de proteínas após os exercícios é estimulada pelos chamados hormônios
anabólicos do organismo: GH (hormônio do crescimento), TESTOSTERONA (hormônio sexual
masculino) e INSULINA (hormônio que atua na absorção de glicose pelas células).
O GH é formado por aminoácidos, e estimulado pelos exercícios
intensos, pelo sono e pela hipoglicemia. A testosterona é sintetizada a partir do
colesterol, e estimulada pelo treino pesado. A insulina também é formada por
aminoácidos e é estimulada pela ingestão de carboidratos.
Excesso de treinamento deprime a testosterona. Portanto, os
estímulos anabólicos máximos ocorrem no treinamento com pesos quando
- a duração da sessão é em torno de uma hora,
- os pesos são difíceis,
- o descanso é otimizado,
- o sono noturno é suficiente para recuperar as energias,
- e quando a ingestão de carboidratos, proteinas e gorduras ocorrer de forma adequada,
como veremos posteriormente.
A adequada ingestão de carboidratos e água também permite uma boa
hidratação dos músculos, facilitando a síntese protéica e contribuindo diretamente
para o volume muscular.
Com a observação dos princípios especificados acima, todas as
pessoas apresentarão aumento da massa muscular. Muitas pessoas conseguem aumentar vários
quilos de músculos em poucos meses. Mulheres idosas chegam a aumentar 10 % do seu volume
muscular em poucos meses de treinamento. Homens jovens aumentam muito mais, mas não
todos.
LIMITAÇÕES GENÉTICAS
Algumas pessoas têm dificuldades genéticas, que podem ser agravadas pelo treinamento
excessivo, pouco intenso ou muito irregular, pela má alimentação, por falta de descanso
físico, e por excesso de tensões emocionais que estimulam o hormônio catabolizante
cortisol.
A intimidade das limitações genéticas para aumento da massa muscular
é desconhecida. Os mecanismos podem estar ligados à síntese protéica deficiente,
receptores hormonais em menor número, níveis excessivos de substâncias inibidoras do
crescimento celular, má absorção de nutrientes, e menor número de fibras na
composição dos músculos esqueléticos.
DROGAS ANABOLIZANTES
A crescente utilização das drogas anabolizantes contribuiu para uma má
compreensão do aumento de volume muscular induzido por exercícios. Atualmente não
existem dúvidas de que essas drogas favorecem a hipertrofia muscular, e talvez outros
processos ainda pouco conhecidos como a hiperplasia, que vem a ser o aumento do número de
fibras musculares.
No entanto, muitos acham que o aumento de volume muscular não pode
ocorrer sem o uso de drogas anabolizantes o que não é correto. Com esta concepção,
quando alguém aumenta rapidamente o volume muscular, o efeito é atribuido às drogas, e
quando alguém aumenta pouco, a explicação dada é a ausência das mesmas.
O alto nível de massa muscular dos campeões de musculação muitas
vezes é atribuído ao uso de drogas, sem a lembrança dos fatores genéticos e da
dedicação do atleta ao treinamento e à alimentação. Na realidade, as drogas não
fazem campeões. Caso o fizessem, as academias estariam cheias de campeões. Muitas
pessoas aumentam muito a massa muscular sem o uso de drogas, e algumas, felizmente poucas,
têm tanta dificuldade que seus resultados são medíocres mesmo com a utilização dessas
substâncias.
O treinamento correto, com alimentação e descanso adequados, darão
excelentes resultados para a maioria das pessoas. Quando alguém não reagir bem com esses
estímulos naturais, dificilmente terá resultados muito diferentes com drogas. Muitos
veteranos da musculação ficam desconcertados quando alguém pergunta o que ele
tomou para ter o físico que apresenta.
A maioria das pessoas que têm na musculação uma filosofia de vida,
encaram a atividade como uma forma de auto-conhecimento, e sentem-se estimulados pelo
desafio de tentar superar seus próprios limites com os recursos que a natureza lhes deu.
Para muitos, o prazer está em tentar ter 50 centímetros na circunferência dos braços,
não em consegui-los a qualquer preço.
ASPECTO TRISTE
O aspecto triste da má compreensão dos fenômenos envolvidos no aumento de
volume muscular é que muitos jovens estão sendo levados ao uso de drogas poderosas, com
potenciais efeitos lesivos à saúde, sem necessidade.
DR. JOSÉ MARIA SANTARÉM |
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Doutor em medicina, fisiatra e reumatologista. |
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Coordenador do CECAFI - Centro de Estudos em Ciências da Atividade
Física, da Disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP. |
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Coordenador do Curso de Especialização em Fisiologia do Exercício e
Treinamento Resistido na Saúde, na Doença e no Envelhecimento da Disciplina de Geriatria
da Faculdade de Medicina da USP. |
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Coordenador do Ambulatório de Atividade Física da Disciplina de
Geriatria da FMUSP. |
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Coordenador dos projetos de pesquisa do CECAFI. |
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Diretor do Centro de Estudos HC-FMUSP de Medicina Esportiva. |
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Responsável pelos Cursos para Formação de Técnicos em Treinamento com
Pesos da Federação Paulista e Confederação Brasileira de Musculação. |
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Professor de Cursos de Musculação e Medicina do Exercício em
universidades, congressos e convenções, no Brasil e no exterior. |
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Diretor e autor dos projetos dos aparelhos para exercícios resistidos da
empresa Biodelta Atividade Física Ltda. |
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