O músculo esquelético adulto exibe uma notável capacidade para regenerar-se em resposta a uma lesão, habilidade esta que reside numa população de células precursoras musculares, conhecidas como células satélites. Em músculos normais, são células quiescentes que estão seqüestradas entre a membrana basal e o sarcolema de fibras musculares maduras. As células satélites são responsáveis pelo crescimento tanto fetal quanto pós-natal do músculo esquelético. Para uma regeneração bem sucedida da musculatura esquelética, as células satélites devem passar por 3 etapas : (1) ativação; (2) extensiva e rápida proliferação e (3) eficiente diferenciação. Imediatamente após uma lesão nas fibras musculares, estas células são rapidamente ativadas, proliferam e fundem-se para formarem novas fibras musculares, ou para repararem segmentos danificados de fibras musculares existentes. Uma parte da população de células satélite não sofre o processo de diferenciação e restabelece o pool (conjunto) de células satélites abaixo da lâmina basal das fibras musculares recém-formadas. Em um grupo de doenças hereditárias como as distrofias musculares, caracterizadas por fraqueza e perda de massa muscular, ciclos repetitivos de degeneração e regeneração muscular ocorrem, impondo assim uma grande e permanente demanda de células satélites de seus respectivos pools. A proliferação torna-se então uma das etapas-chave na regeneração muscular, providenciando um número suficiente de núcleos para assegurar o funcionamento das fibras musculares recém-formadas. Um dos mecanismos implicados na regulação da capacidade proliferativa das células satélites é a diminuição no tamanho dos telômeros. O telômero encontra-se na extremidade dos cromossomos (o cromossomo contém nossa informação genética) e cada vez que a célula prolifera (divide) há uma redução no comprimento do telômero. Quanto menor o comprimento do telômero, menor a capacidade de divisão da célula. As células satélites que são incorporadas após proliferarem durante a vida de um indivíduo terão telômeros mais curtos do que aquelas células satélites incorporadas durante sua fase de desenvolvimento muscular (fase fetal), ou seja, cada vez que a célula satélite passar pelo processo de divisão celular, as células satélites filhas terão telômeros mais curtos. Eventualmente, estas células cessarão suas divisões quando alcançarem um estágio conhecido por senescência proliferativa, pois seus telômeros atingirão um comprimento que não permitirá mais divisões. Este limite na capacidade proliferativa da célula satélite humana determina o potencial regenerativo muscular. DISCUSSÃO: Referência bibliográfica (1º parte):
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