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MUSCULAÇÃO É AUTO-ESTIMA E QUALIDADE DE VIDA, PRATIQUE !!!

Prof. Eugênio,
É com enorme satisfação que entro em contato para discutir aspectos fisiológicos sobre nosso esporte, com o objetivo de receber a opinião dos competentes profissionais desta modalidade, prof. Eugênio e dr. Santarém, aos quais eu dedico todo o conhecimento obtido por mim na musculação (Lauro de Britto é treinador do atleta Andrey Silva, de 16 anos, que competiu no Estreantes 2006)

DIETA PRÉ-COMPETIÇÃO: UMA PROPOSTA

Oque se preconiza durante a dieta pré-contest é a correta manipulação dos macronutrientes, primeiramente um balanço calórico negativo, logicamente. É determinado que seja utilizada maior quantidade de carboidratos (IG baixo), em relação à ingestão de proteínas (AVB) e ácidos graxos essenciais, como Omega 3 e 6, pois nesta fase não se objetiva o ganho de massa muscular e, sim, a redução do tecido adiposo, sendo o carbo destinado a fornecer a energia necessária aos treinos e como fator proteção à massa magra.

Já a proteína, verifica-se em quantidades bem menores, +/- 1g/kg de peso do indivíduo, apenas para mantê-lo em condições fisiológicas.

A dúvida é a seguinte: uma vez que o atleta continua com o treinamento em sua máxima intensidade (logicamente, haverá um decréscimo na sobrecarga, devido ao balanço calórico negativo), ele estará utilizando técnicas como superséries, triséries, drop sets, alternando entre sobrecarga metabólica e, claro, sobrecargas tensionais. Caso contrário, se o atleta reduzisse a sobrecarga em função de treinar apenas com repetições mais elevadas, ele estaria reduzindo o volume e ocasionando hipotonia das fibras brancas.

Assim sendo, devido à intensidade do treino, ele está microlesando as fibras, havendo então a necessidade de reparação das mesmas; como ele se mantém numa dieta com menores quantidades de proteínas, estas então se tornam insuficientes para a reparação do tecido muscular??? Fator catabólico que talvez seja diminuído pela administração dos esteróides e demais recursos ergogênicos??? Mas então, por que não fazer o contrário: diminuir o carbo em quantidades suficientes para reposição em parte do glicogênio e manter uma quantidade de +/- 2/3 g proteínas por kg, mesmo que estas eventualmente sejam em parte utilizadas em energia??? (há um artigo no qual o atleta Edson Prado diz ser a favor deste último procedimento para definição).

Usei este método em meu atleta Andrey, de 16 anos que competiu pela primeira vez ano passado, no Estreantes – FEPAM. Porém, o que poucos infelizmente sabem e acreditam, é que ele subiu ao palco sem o uso de artifícios como esteróides. Essa foi nossa meta e orgulhosamente conseguimos!

Em off: não foi fácil para o garoto, e até para mim mesmo, ter que ouvir alguns atletas, enquanto se preparavam nos bastidores, discutirem sobre a administração de tais substâncias ilícitas, chegando até um deles a aproximar-se de nós, enquanto eu tingia a pele do Andrey, para perguntar o que ele estava “tomando”.

Além disso, ainda veio dizer que na semana anterior sofreu uma inflamação no deltóide devido à administração de Stanozolol falsificada (diga-se de passagem, quase todas são, ou melhor, todas de meios ilegais!!!). Mas esta é uma outra história, somos seres humanos providos de inteligência e estes são casos à parte.

Voltando: A dieta foi feita com nível muito baixo de carbo (1g/kg) e mais alto de proteína (3 g/kg), enquanto mantivemos o treino bem intenso, sempre com sobrecarga tensional, algumas com sobrecarga metabólica.

Também não foram utilizados aeróbios, somente nas duas últimas semanas e em tempo relativamente curto, pois não usando nenhum acelerador metabólico, este se fez necessário porque o campeonato se aproximava, do contrário, se houvesse mais tempo, eu não os utilizaria. O atleta manteve quase totalmente sua massa muscular adquirida e, ao longo da dieta, avaliamos periodicamente suas medidas. Suas perdas eram quase que totalmente na linha de cintura pélvica e coxas, na parte proximal.

Sonho em fazer parte dessa Família FEPAM, contribuindo com artigos de minha autoria, pois, se ontem eu fui beneficiado por quem os escreveu, em breve farei o mesmo por outros e é isto que vocês fazem por nós, isto que forma uma FAMÍLIA!!

Eugênio Koprowski posicionou-se como segue, mas o debate está aberto e esperamos a opinião dos leitores que atuam na área.

As questões que são levantadas por você ainda requerem mais estudos, notadamente no que diz respeito às dietas alimentares para atletas de musculação.

De modo geral, podemos ter certeza de alguns aspectos, como por exemplo: O treinamento muito intenso na fase extrema da dieta é contra-indicado, por ser um fator catabolizante; além de desnecessário, pode ser contraproducente.

Incluir algumas séries mais pesadas é correto, pois assim mantemos o estímulo às miofibrilas, porém, estando em balanço calórico negativo (como você bem observa), o atleta estará limitado quanto ao emprego de grandes sobrecargas.

As altas repetições também podem ser substituídas por períodos menores de repouso entre séries, para estabelecer a sobrecarga metabólica e, assim, provocar o estímulo desejado no músculo.

Exercícios aeróbios de moderada a média intensidade e duração são úteis para ajudar no gasto calórico, sem afetar na perda de massa magra. Assim, o atleta poderá ingerir um pouco mais de calorias e evitar a fome compulsiva, que também é catabolizante.

As necessidades calóricas diferem muito entre os indivíduos, assim como o percentual de carboidratos e proteínas. A proteína deve servir apenas para reparar o tecido muscular nessa fase, nunca para energia, posto que para isso temos o carboidrato, que é a primeira e principal fonte utilizada pelo organismo, seguida da gordura, preferentemente aquela contida no corpo.

O alto consumo de proteínas sempre esteve associado à grande massa muscular e força, o que não é verdade. Esta resultante depende muito mais de fatores genéticos, treinamento adequado, e suficiente repouso para otimizar o anabolismo. Em termos de alimentação, o carboidrato sempre terá o papel mais importante, seguido da proteína.

Manipulações com dias sem carbo e alta proteína e o inverso podem ser feitas, mas com cuidado, pois na ausência do carboidrato o organismo irá primeiramente utilizar a proteína contrátil para gerar energia - sobre isso não existem dúvidas.

Não devemos esquecer que o carboidrato pode ser muito pouco calórico, como no caso dos tubérculos em geral, e o que interessa é reduzir calorias, não necessariamente o carboidrato.

Conheço a teoria de Edson Parado a respeito, assim como a de muitos outros. O Edson não apresentava uma definição excepcional e este, exatamente, sempre foi o seu ponto fraco. Se a dieta de 3/1 de proteína e carbo no Andrey funcionou, ótimo. Parece que o José Carlos e alguns outros atletas também preconizam alta proteína, mas são exemplos isolados. Para a grande maioria não funciona, pois acabam perdendo muita massa muscular, o que é de se esperar.

Pesquisas realizadas com bodybuilders e levantadores de peso observam que o máximo de proteína assimilada nos casos estudados foi de 1,76 g/kg/dia; assim, a recomendação é de 2 g/kg/dia em fase de ganho muscular. Alguns atletas falam em 5 ou até 10 g/kg/dia, mas será mesmo necessária tanta proteína para fazer a síntese protéica?

Estudos recentes indicam que não, mas são enfáticos em observar uma maior necessidade de oferta de proteína para musculadores e levantadores de peso, quando comparados a outros atletas, recomendando mesmo a suplementação com concentrados protéicos.

Gratos pela consideração e parabéns pelo seu trabalho, conhecimento e dedicação.

Lauro de Britto Filho – Orlândia, SP
4º ano de Ed. Física, praticante há 9 anos, instrutor há 6 anos e “eterno pesquisador da Musculação” da Musculação”da Musculação”da Musculação”da Musculação”.


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