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NUTRIÇÃO:

A importância dos Minerais na alimentação do Atleta.

Os minerais são originários do solo, absorvidos pelas plantas e depois são passados para o homem e animais que as consomem. Minerais são freqüentemente referidos como elementos traço pois suas necessidades para manter as funções do organismo são de apenas poucas quantidades. Existem recomendações específicas para estes nutrientes, os quais baseiam-se na ingestão mínima para prevenir deficiências que possam impedir o funcionamento do organismo e o limite máximo para evitar toxicidade (ver tabela).

Alguns atletas acreditam que necessitam de altas doses de minerais para suportar o estresse de um treinamento intenso. Mas a maioria dos estudos mostram que, com exceção do ferro (particularmente em mulheres), a necessidade de minerais em atletas é similar à indivíduos não - atletas saudáveis, e que, o treinamento não esgota as reservas de minerais. No entanto, fatores como: redução no consumo de calorias, consumo elevado de alimentos refinados e baixa variabilidade nas fontes alimentares podem prejudicar o consumo dos micronutrientes e ocasionalmente levar ao desenvolvimento de deficiência de minerais.

A maioria dos estudos que tratam da relação entre minerais e exercício, abordam aspectos como a necessidade de suplementação com estes micronutrientes ao atleta. Geralmente justificados pelas conseqüências do treinamento intenso no maior estresse oxidativo (produção de radicais livres), na perda de minerais pela urina e/ou suor, ou na maior participação de alguns dos micronutrientes nos processos anabólico e catabólico.

O metabolismo dos minerais em geral comporta-se de maneira similar, resumidamente podemos colocar que os minerais têm seus sítios de estoques que são desde ossos à órgãos e tecidos. Situações em que exista necessidade de sua maior disponibilidade (exercício), o organismo lança mão destes estoques para os tecidos que necessitem, ou seja, ocorre uma redistribuição entre os sítios de reservas e os tecidos-alvo. Assim, possivelmente alguns minerais tenham seu metabolismo ativado durante o exercício (pela participação no processo de geração de energia dado pela contração muscular) ou após o exercício (pela participação nos processos catabólico e/ou anabólico, ativados pelo exercício).

O exercício está envolvido com a maior produção de radicais livres (espécies químicas altamente reativas que danificam a célula). O treinamento promove adaptações fisiológicas que protege o corpo destas reações, porém esta proteção não será suficiente se o indivíduo está freqüentemente exposto a estes estímulos. Nesta situação o atleta pode ser prejudicado no desempenho da atividade e/ou em seu estado nutricional, pois a redução de aproximadamente 20% da capacidade funcional do mineral não é fator limitante para sobrevivência, entretanto, é possível que o ótimo funcionamento do organismo esteja prejudicado.

Resultados de uma pesquisa sobre o consumo de minerais na população americana em 1996, mostrou inadequação na maioria dos americanos. Em média, mais de 60% dos homens e mulheres americanas com idade superior a 20 anos, consumiam menos magnésio e zinco do que as recomendações. Da mesma forma para o cromo, que apresentou consumo de apenas 33 a 25µg/d para homens e mulheres, respectivamente, no entanto, a recomendação segura e adequada é de 50 - 200µg/d (tabela).

Geralmente atletas que apresentam baixo consumo de calorias na dieta (como ginastas e corredores), devido a sua preocupação com peso corporal, são os mais suscetíveis a desenvolverem deficiência no consumo de minerais. No entanto, o trabalho desenvolvido em atletas de basquete, futebol e levantadores de peso também apresentaram consumo abaixo do recomendado (menos de 70%) para magnésio, zinco e cobre.

MINERAL

RECOMENDAÇÃO
(POR DIA)

PRINCIPAIS FONTES

FERRO 8mg (H) 18mg (M)  (19 - 30 anos) Fígado, carnes vermelhas, alimentos fortificados
CÁLCIO 1000mg (adultos) Leite e derivados
ZINCO 11mg (H) 8mg (M) (>19 anos) Frutos do mar (ostra), fígado, carnes vermelhas, cereais integrais
MAGNÉSIO 400mg (H), 310mg (M) Cereais integrais, vegetais verdes escuros, frutas secas, chocolate
CROMO 50 - 200 ug (adultos) Cereais integrais, castanha, amendoim, frutas secas, queijos

(M): mulheres, (H): homens

O Ferro tem funções importantes no exercício, sendo necessário para a formação da hemoglobina e mioglobina, os quais são essenciais no transporte do oxigênio e na formação das enzimas envolvidas na produção de energia. Depleção de ferro (redução nas reservas de ferro) é uma deficiência das mais prevalescentes observadas em atletas, especialmente mulheres. O impacto da depleção de ferro sobre o desempenho do exercício é limitado, mas se esta condição progride para anemia (baixos níveis de hemoglobina), o desempenho pode ser prejudicado. A partir de dados já publicados em literatura científica, a ingestão habitual de ferro encontra-se no limite das necessidades ou inadequada, principalmente entre mulheres atletas. A alta incidência de depleção de ferro em atletas está freqüentemente associadas à redução da ingestão calórica; à remoção de carnes vermelhas (principal fonte de ferro) da dieta; ou à maior perda pelo suor, urina, fezes ou pela menstruação.

O Cálcio é um nutriente essencial que é especialmente necessário para o crescimento e reparação do tecido ósseo, atua como regulador intracelular e como cofator de várias enzimas e proteínas. Consumo inadequado de cálcio aumenta os riscos de redução na densidade mineral óssea (osteoporose) e fraturas. Novamente, mulheres atletas apresentam maiores riscos, pela redução na ingestão energética, no consumo de produtos lácteos ou se apresentam alguma disfunção no ciclo menstrual. Duas estratégias podem ser adotadas para evitar estas conseqüências: otimizar o crescimento máximo da massa óssea durante o crescimento e consolidação óssea e, reduzir a taxa de perda óssea subseqüente. Para isto, é necessário adequação no consumo de cálcio (ver tabela) durante todo o desenvolvimento da massa óssea (até 26 anos para mulheres). Com o avanço da idade condutas como terapia de reposição hormonal, adequação dietética e exercício (especialmente de força) mostram-se como meios mais eficientes para reduzir a perda da massa óssea.

O mineral Cromo tem função biológica que potencializa a ação da insulina no metabolismo dos carboidratos, lipídios e proteínas, embora não se saiba o mecanismo exato desta ação do cromo. Recentemente tem-se sugerido a suplementação com cromo (na forma de picolinato de cromo) para promoção de ganho de massa muscular e perda de gordura corporal, no entanto, estudos como o realizado em 1996 por Likaski e colaboradores, mostraram que a suplementação de cromo associado com treinamento de força, não promoveu melhores ganhos na força, massa muscular ou na redução no percentual de gordura, quando comparado com o placebo.

Zinco, como outros minerais, participa como cofator enzimático de várias reações enzimáticas envolvidas no metabolismo energético. Sabe-se dos efeitos prejudiciais à musculatura quando na deficiência de zinco. Ratos submetidos à dieta deficiente em zinco, mostraram redução no crescimento e nas concentrações de DNA muscular. Estudos com humanos também mostraram que a redução nos níveis de zinco da dieta está relacionada com diminuição na força muscular. Porém, as pesquisas que avaliam a suplementação com zinco no desempenho de atletas ainda são bastante contraditórias.

Magnésio é um mineral essencial e cofator de mais de 400 reações enzimáticas, com funções importantes no controle da atividade dos neurônios, excitabilidade cardíaca, transmissão neuromuscular, contração muscular, tônus vasomotor e pressão sangüínea. O magnésio também desempenha papel importante na regulação do crescimento celular, reprodução e estrutura de membranas. Assim, é claro que quantidades inadequadas de magnésio irão comprometer o crescimento muscular e conseqüentemente as contrações musculares, o que pode limitar o desempenho em atividades aeróbicas e aneróbicas. Novamente, os estudos com suplementação não foram claros para afirmar se o consumo de magnésio acima das recomendações oferecem algum efeito ergogênico.

Como falado anteriormente, os estudos que avaliaram os efeitos da suplementação com minerais no exercício ainda não são consistentes. Enquanto alguns estudos mostraram melhora no desempenho físico com a suplementação, estes não documentam se o grupo estudado apresentava alguma deficiência vitamínico-mineral prévia. Conseqüentemente, não podemos afirmar se os efeitos da suplementação é atribuído à correção do estado nutricional ou realmente ao seu efeito ergogênico. Indivíduos saudáveis com adequação de nutrientes essenciais na dieta não mostraram qualquer efeito benéfico da suplementação sobre o estado nutricional ou no desempenho do exercício. O que não pode existir são conceitos errôneos, com condutas de suplementação indiscriminada, pois conseqüências como efeitos tóxicos ao organismo e/ou competição na absorção dos nutrientes podem trazer resultados piores ao esperado. Assim, assume-se que as recomendações de minerais estabelecidas para consumo diário são apropriadas para atletas, exceto em situações de deficiências nutricionais.

Resumidamente, dois fatores essenciais para alcançar as necessidades nutricionais podem ser enfatizados: ingestão energética satisfatória e variação nas fontes de alimentos. O consumo de ampla variedade de alimentos na dieta irá aumentar a qualidade da alimentação, garantindo a variação dos nutrientes essenciais e de outras substâncias alimentares e reduzirá o consumo de componentes potencialmente prejudiciais.

 
RAQUEL SIMÕES M. NETO - Nutricionista
- RealFit Consultoria em Nutrição
realfit_consultoria@hotmail.com
Telefone: (11) 5041-2797

Referências Bibliográficas consultadas
1. National Research Council. Recommended dietary alloances. 10th ed. Washington,. DC: National Academy Press, 1989.
2. US Department of Agriculture, Agricultural Research Service. Continuing Survey of Food Intake by Individuals 1994 and Diet and Health Knowledge survey 1994. Springfield, VA: US Department of Commerce, National Tecnhical Information Service, 1996.
3. Issacson A., Sandow, A. Effects of zinc on responses of skeletal muscle. J. Gen. Physiol. v. 46, 0.655-77, 1978.
4. Lukaski, H.C. Magnesium, zinc and chromium and physical activity. Am. J. Clin. Nutr. v. 72 (suppl): 585S-93S, 2000.
5. Institute of Medicine, Food and Nutrition Board. Dietary reference intake for calcium, phosphorus, magnesium, vitamin D and fuoride. Washington, DC: National Academy Press, 1997.
6. Clarkson, P. M. Micronutrients and exercise: and-oxidants and minerals. J. Sports Sci. v. 13 (suppl): 11-24, 1995.
7. Chatard, J-C., Mujica, I., Guy, C., Lacour, J-R. Anaemia and iron deficiency in athletes - pratical recommendations for treitment. Sports Med. v. 27 (4), p. 229-40, 1999.
8. Lukaski, H. C. Bolonchuck, W. W., Siders, W. A, Milne, D. B. Chromium suplementation and resistance training: effects on body composition, and trace element status of men. Am. J. Clin. Nutr. v.63, p. 954-65, 1996.
9. Kies, C. V. Driskell, J. A. Sports Nutrition - Minerals and electrolytes. CRC Press, 1995.


                 

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