SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS:
Vários fatores fisiológicos, bioquímicos, psicológicos e
nutricionais podem limitar o desempenho no exercício. Na busca pelo sucesso, atletas e
seus treinadores procuram identificar estes fatores e encontrar o caminho para minimizar
seu impacto. Neste contexto, tem se tornado comum o uso de estratégias nutricionais que
variam em grau de eficiência. Alimentos e componentes alimentares que podem melhorar a
capacidade do indivíduo no exercício tem sido descrito como AUXÍLIO ERGOGÊNICO.
Como sabemos existem uma grande variedade de suplementos alimentares no
mercado à disposição para qualquer pessoa e com as maiores facilidades de compra. Estes
com diversos fins, desde a reposição vitamínico - mineral, queima de gordura, até no
ganho de massa muscular. A avaliação dos suplementos alimentares requer atenção para
os seguintes fatores: VALIDADE das afirmações relacionadas a ciência da nutrição e
exercício, QUALIDADE da evidência descrita (se estudos científicos ou testemunhos) e
avaliação da SEGURANÇA e LEGALIDADE do suplemento. Atualmente, o uso e recomendação
dos suplementos para atletas é controversa. Alguns profissionais da saúde desaconselham
o uso de todos os auxílios ergogênicos, embora outros sugiram apenas após um exame
cauteloso do produto quanto sua segurança, eficácia, potencial e legalidade.
Não seria possível abordar aqui todos os suplementos nutricionais
usados pelos atletas. Entretanto, serão considerados alguns exemplos que irão ilustrar
os princípios gerais que determinam seu uso e as avaliações que devem ser aplicadas a
estes suplementos. Desta forma serão enfocadas duas categorias de suplementos, aqueles
que agem sobre a produção e metabolismo energético, e aqueles que podem influenciar no
ganho de massa muscular.
SUPLEMENTOS QUE PODEM INFLUENCIAR NO
METABOLISMO ENERGÉTICO
CREATINA:
A creatina, ou ácido metil guanadinoacético, é formada a partir de três aminoácidos
(arginina, glicína e metionina). Está presente em fontes de carne e peixe, e é
endogenamente sintetizada no fígado e pâncreas. Em média um homem de 70 kg tem um pool
de creatina corporal de 120g, este está sujeito à degradação constante em creatinina,
o qual é excretado na urina numa taxa de aproximadamente 2g/d. A maioria do pool de
creatina total está presente nos músculos (65%) na forma fosforilada (fosfocreatina).
A fosfocreatina tem papel fundamental no metabolismo energético da
contração muscular, durante exercícios de alta intensidade e curta duração. Nestas
situações é predominante na produção de energia o sistema ATP-CP, no entanto as
reservas musculares de ATP podem ser esgotados dentro de 2 segundos do início da
contração muscular e a ressíntese do ATP ocorre predominantemente a partir da
fosfocreatina e glicogênio muscular, resultando numa taxa cumulativa de ressíntese de
ATP durante os primeiros 6 segundos de exercício máximo. Desta forma a concentração de
ATP muscular pode ser mantida em algum grau durante simples ou repetidas sessões de
exercício máximo de curta duração. A queda da ressíntese de ATP está associada com
declínio do desempenho. Assim, as concentrações de fosfocreatina e glicogênio
musculares são pontos importantes para ressíntese de ATP, e consequentemente, no
desempenho de exercícios de alta intensidade.
EFEITOS SOBRE DESEMPENHO:
A suplementação com creatina é beneficiada em atividades com dependência na
hidrólise da FC, situações como: transição de repouso para o exercício; transição
de mudança de intensidade do exercício para uma ainda maior; intensidades acima de
90%VO2 max e locais com baixas disponibilidade de oxigênio (altas altitudes).
EFEITOS SOBRE FORÇA MUSCULAR:
Atualmente não se sabe se a resposta tem alguma relação com o desempenho de
exercícios de força. No entanto, vários estudos relataram melhora na força dinâmica
(1RM). Ao contrário, é importante lembrar que a suplementação com creatina não teve
efeito sobre teste de força isométrica máxima ou produção de força máxima (ACSM,
2000).
EFEITO SOBRE COMPOSIÇÃO CORPORAL:
Muitos estudos relataram aumento do peso corporal (1 a 2 kg) após
suplementação com creatina (4x5g/d) e tem sugerido que este ganho de peso corporal seja
na forma de massa magra. Acredita-se que este aumento seja decorrente da retenção
hídrica e/ou acúmulo de glicogênio muscular, mas ainda é necessário maiores pesquisas
que provem qualquer ação da suplementação de creatina sobre síntese protéica e ganho
de massa muscular. Principalmente pelo curto período de suplementação.
EFEITOS SOBRE SAÚDE:
Alguns trabalhos foram e são conduzidos para avaliar os efeitos da
suplementação sobre a saúde. Dentre estes parâmetros são analisados sensações de
náuseas, vômitos, diarréia, função renal e hepática. Porém ainda não são
totalmente fundamentados em literatura científica, principalmente no que se refere à
suplementação à longo prazo. A falta de efeitos prejudiciais não a tornam segura,
apenas quando todas as possibilidades teóricas sejam eliminadas.
CARNITINA:
Outro composto amplamente distribuído no mercado de suplementação, é
utilizada com o objetivo de aumentar a oxidação lipídica. A carnitina é sintetizada no
corpo e é essencial no transporte dos ácidos graxos para dentro da mitocôndrias, onde
são oxidados. Tem sido proposto que aumentando a disponibilidade de carnitina dentro das
mitocôndrias teria efeito estimulante sobre o metabolismo oxidativo. No entanto, os
trabalhos científicos não demostraram este efeito quando avaliaram a suplementação de
carnitina sobre a oxidação de gordura, o que poderia ser benéfico para atividades de
resistência aeróbia. Dois fatores podem justificar estes resultados, primeiro: não
existe evidência que ocorra deficiência de carnitina em humanos saudáveis. Carnitina
está presente na dieta nos produtos de origem animal e produtos lácteos, além de ser
sintetizada a partir da lisina e metionina no fígado e nos rins. Segundo, a etapa
limitante da oxidação das gorduras não é a concentração de carnitina dentro da
célula e sim as concentrações de CoA dentro das mitocôndrias, o qual apenas é elevada
com o treinamento aeróbio.
CAFEÍNA:
A cafeína é estimulante porém devido seu uso comum e antigo é considerado
socialmente aceito, e talvez seja a droga estimulante mais usada em todo o mundo. O uso da
cafeína não é proibida no esporte, entretanto existe um limite aceito de 12mg/ml de
urina. Caso na dosagem de cafeína maior dos valores permitidos o atleta pode ser
eliminado da competição. As razões para que colocam a cafeína como ergogênico são
suas ações sobre o sistema nervoso central (retardando a percepção do esforço ou
maior centro motor - atenção, mas ainda são especulações baseado em relatos), sobre
tecido adiposo (aumentando a oferta de ácidos graxos ao músculo, aumentando a oxidação
de gorduras, o que pode poupar as reservas de glicogênio muscular e assim, aumentar o
tempo da duração do exercício.
A cafeína pode apresentar alguns efeitos que podem ser prejudiciais
para desempenho das atividades. São estes: taquicardia (hipertensos), insônia, dores de
cabeça, irritação e sangramento gastrointestinal, e estímulo à diurese. A ação
diurética da cafeína é freqüentemente enfatizada, particularmente em situações onde
a desidratação é o principal fator analisado. Competições em lugares quentes, úmidos
a desidratação pode ter efeito negativo sobre o desempenho. Atletas competindo nestas
condições são recomendados a aumentar sua ingestão de fluidos, mas também
recomenda-se evitar o consumo de chás e café devido sua ação diurética.
SUPLEMENTOS UTILIZADOS PARA GANHO DE MASSA
MUSCULAR
PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS:
Em atividades que requerem força e potência, o aumento da massa muscular é favorável.
O uso de suplementos é bastante comum entre atletas de força e é também bastante
diversificado.
As proteínas (aminoácidos) são essenciais no processo anabólico da
massa muscular e também na recuperação tecidual. De fato, atletas envolvidos em
atividades de natureza aeróbia e anaeróbia apresentam maiores necessidades de
proteínas. Diferentes estudos sugerem que a prática de exercício regularmente aumenta
as necessidades. Para atletas de resistência, este aumento deve-se principalmente pela
maior oxidação dos aminoácidos e talvez pelo aumento na taxa da síntese protéica para
minimizar ou reparar qualquer dano muscular induzido pelo exercício aeróbio. Para
indivíduos regularmente ativos em atividades de resistência, a quantidade de proteína
pode ser entre 1,2 - 1,4 g /kg /d (150 - 175% da RDA). Para exercício de força, a maior
necessidade protéica parece estar relacionada para suportar as altas taxas de síntese
protéica induzida por este tipo de exercício. Baseados em dados atuais, a recomendação
protéica para indivíduos que regularmente estão envolvidos com treinamento de força,
está entre 1,6-1,7 g/kg/d (Lemon, 1998). Apesar das maiores necessidades protéicas estas
são facilmente alcançadas com dieta bem balanceada em proteínas e energia sem a
necessidade da suplementação, no entanto em situações específicas a suplementação
com aminoácidos pode ser utilizado. Do ponto de vista metabólico, a resposta anabólica
do músculo ocorre positivamente à maior ingestão nitrogenada, independentemente da
forma que os aminoácidos são oferecidos ao enterócito. As diferenciações são pela
ordem:
a) Fisiológica - na velocidade de absorção ( di e tripeptídeos >
Aa livres > ptn integral)
b) Econômica - nas variações do preço ( hidrolisados > Aa livres > ptn
integrais)
c) Eficiência funcional - na melhor definição muscular, pela menor ingestão de gordura
e hidratação muscular ( Aa > hidrolisados > ptn integral) (Bucci, 1993).
HMB:
HMB é um metabólico da leucina (aminoácido essencial), e tem sido colocado que sua
suplementação esteja envolvida com ganhos de massa muscular e de força com exercício
contra-resistência. Ao contrário da ação dos hormônios anabólicos que estimulam a
hipertrofia, pelo aumento da síntese protéica muscular, o HMB é parece está envolvido
principalmente pela redução da degradação protéica muscular, minimizando a
degradação protéica e dano celular que podem ocorrer com exercício. Os mecanismos
propostos para explicar a ação do HMB ainda não são completamente entendidos. O COI
classificou HMB como uma substância legal, baseado em não infringir as leis de dopping e
não apresentarem efeitos prejudiciais à saúde humana (função hepática, renal,
imune).
CONCLUSÕES:
Atletas ou mesmo indivíduos que tem esporte como prática freqüente, estão
sempre procurando a utilização de suplementos nutricionais que vão lhe oferecer
vantagens nas competições, tanto no desempenho quanto na composição corporal. Existem
muitos suplementos dietéticos que são fundamentados pela literatura, destes destacam-se
os suplementos à base de carboidratos e os sports drinks. Outros componentes dietéticos
essenciais também como os suplementos protéicos, ácidos graxos essenciais, vitaminas e
minerais, desempenho papel importantes, no entanto são essenciais para manutenção da
saúde e funções fisiológicas, e a suplementação podem ser vantajoso nestas
situações, mas sem relação com melhoria no desempenho físico.
Principais Referências
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